A2A v1.0: Google Resolveu o Problema Que MCP Ignorou
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A2A v1.0: Google Resolveu o Problema Que MCP Ignorou

Mafra
20/05/2026
6 min read

Você montou um agente de IA que consulta seu banco de dados, acessa o CRM e responde no WhatsApp. Tudo via MCP. Funciona. Mas quando o cliente pede algo que exige pesquisa externa, o agente trava. Você precisaria de um segundo agente especializado. Só que esse segundo agente não consegue falar com o primeiro sem código de cola customizado. Esse é o problema que o Google quis resolver. Em fevereiro de 2026, a solução virou padrão com o lançamento do A2A v1.0.

Por Que o MCP Sozinho Não Basta Para Agentes em Produção?

O MCP (Model Context Protocol) foi lançado pela Anthropic no final de 2024 e rapidamente se tornou o padrão para conectar agentes a ferramentas externas: bancos de dados, APIs, arquivos, CRMs. Em 2026, mais de 200 servidores MCP estão disponíveis no ecossistema.

Mas o MCP resolve só metade da equação. A especificação foi desenhada para o eixo agente ↔ ferramenta. O eixo agente ↔ agente ficou de fora propositalmente. O próprio time que criou o MCP foi explícito: o protocolo não é uma solução de orquestração entre agentes.

O resultado: cada framework inventou o próprio padrão de orquestração. AutoGen fala uma linguagem. LangGraph fala outra. CrewAI tem a própria. Você cola o sistema inteiro com código proprietário que ninguém mais consegue manter. Segundo levantamento da Linux Foundation, 62% das empresas ainda estão em fase de experimentação com agentes. O principal motivo reportado: complexidade de orquestração entre frameworks heterogêneos.

O Que o Google Fez Diferente com o A2A?

Em abril de 2025, o Google anunciou o A2A (Agent-to-Agent), um protocolo aberto para padronizar a comunicação entre agentes de IA de fabricantes diferentes. Em junho de 2025, doou o projeto para a Linux Foundation para garantir governança vendor-neutral. Em fevereiro de 2026, o A2A v1.0 foi lançado: a versão que saiu do modo experimento e entrou em produção.

Hoje, o protocolo tem mais de 150 organizações participantes, 22.000 stars no GitHub e deployments em produção no Azure AI Foundry (Microsoft) e Amazon Bedrock AgentCore (AWS). Não é hype. É infraestrutura.

Dado-chave: A2A v1.0 está em produção no Azure AI Foundry e Amazon Bedrock AgentCore. 150+ organizações adotaram o protocolo em menos de 12 meses após o lançamento inicial.

Como Funciona o A2A na Prática?

O A2A opera com quatro primitivas principais. Entender cada uma é suficiente para começar a implementar:

1. Agent Card

É um documento JSON publicado em /.well-known/agent.json que descreve o que o agente sabe fazer: nome, habilidades, URL de endpoint, formatos aceitos. Na v1.0, o Agent Card ganhou assinatura criptográfica (JWS) para verificação de identidade. Um agente orquestrador descobre outros agentes via Agent Card, sem configuração manual.

{
  "name": "agente-qualificacao",
  "description": "Qualifica leads via WhatsApp",
  "url": "https://meu-agente.exemplo.com/a2a",
  "version": "1.0",
  "skills": [
    {
      "id": "qualificar-lead",
      "name": "Qualificação de Lead",
      "description": "Coleta BANT e retorna score de qualificação",
      "inputModes": ["text"],
      "outputModes": ["text", "json"]
    }
  ]
}

2. Task

É a unidade de trabalho. Um agente orquestrador cria uma Task e delega para um agente especialista. A Task tem estados definidos: submitted, working, completed, failed. O orquestrador não precisa saber como o especialista resolve. Só precisa do resultado.

3. Artifact

É o resultado entregue pelo agente especialista. Pode ser texto, JSON estruturado, arquivo ou streaming parcial. Múltiplos artifacts podem ser retornados em uma única Task.

4. Streaming via SSE

Para tarefas longas, o A2A usa Server-Sent Events para enviar resultados parciais em tempo real. O orquestrador não precisa ficar em polling. Recebe os updates conforme chegam.

A2A vs MCP: São Concorrentes?

Não. São complementares e resolvem problemas diferentes. A confusão é comum porque ambos aparecem no mesmo contexto de "infraestrutura para agentes de IA".

Dimensão MCP A2A
Conecta Agente ↔ Ferramentas Agente ↔ Agente
Mantido por Anthropic + comunidade Linux Foundation
Status em 2026 Adoção massiva (200+ servidores) v1.0, produção enterprise
Transport stdio, HTTP/SSE HTTP + SSE + JSON-RPC 2.0
Identidade Não resolve Signed Agent Cards (JWS)
Ideal para RAG, APIs, databases, tools Orquestração multi-agente
Concorrentes? Não. Use os dois juntos.

O stack completo de um agente moderno usa MCP para acessar ferramentas e dados, e A2A para se comunicar com outros agentes. Um agente orquestrador recebe uma tarefa complexa, usa A2A para delegar subtarefas para especialistas, e cada especialista usa MCP para acessar os dados que precisa.

Como Implementar A2A com Python (SDK Oficial)

O A2A tem SDK oficial para Python e JavaScript. A instalação é direta:

pip install a2a-sdk

Um servidor A2A mínimo em Python:

from a2a.server import A2AServer
from a2a.types import AgentCard, AgentSkill, Task, Artifact

skill = AgentSkill(
    id="qualificar-lead",
    name="Qualificação de Lead",
    description="Coleta BANT e retorna score",
    input_modes=["text"],
    output_modes=["json"]
)

agent_card = AgentCard(
    name="agente-qualificacao",
    description="Qualifica leads via WhatsApp com BANT",
    url="https://meu-agente.exemplo.com/a2a",
    version="1.0",
    skills=[skill]
)

server = A2AServer(agent_card=agent_card)

@server.task_handler("qualificar-lead")
async def qualificar(task: Task) -> Artifact:
    mensagem = task.message.content
    # lógica de qualificação aqui
    return Artifact(
        content={"bant_score": 85, "proximo_passo": "agendar_demo"},
        mime_type="application/json"
    )

if __name__ == "__main__":
    server.run(host="0.0.0.0", port=8080)

E um cliente que delega tarefas para esse agente:

from a2a.client import A2AClient

client = A2AClient("https://meu-agente.exemplo.com/a2a")

# Descobre o Agent Card automaticamente
card = await client.get_agent_card()

# Cria e envia uma task
task = await client.send_task(
    skill_id="qualificar-lead",
    message="Cliente interessado em automação de atendimento, budget de R$2K/mês"
)

# Aguarda o resultado
result = await task.wait()
print(result.artifact.content)
# {"bant_score": 85, "proximo_passo": "agendar_demo"}

Qual É o Caso de Uso Real Para Esse Protocolo?

Imagine um sistema de atendimento com 3 agentes especializados:

  • Agente Triagem: recebe a mensagem inicial no WhatsApp, classifica a intenção e delega via A2A.
  • Agente Qualificação: coleta BANT, consulta o CRM via MCP e retorna o score.
  • Agente Agendamento: acessa o calendário via MCP, propõe horários e confirma com o cliente.

Cada agente expõe um Agent Card. O orquestrador descobre os especialistas, delega tarefas e monta a resposta final para o cliente. Se você trocar o Agente Agendamento por outro fornecedor, o protocolo continua funcionando. Sem refatorar o orquestrador. Sem quebrar o fluxo inteiro.

Essa é a diferença entre um sistema colado com gambiarras e uma arquitetura que sobrevive à escala.

Na Verboo, a plataforma já opera com arquitetura de assistentes especializados. Mais de 390 empresas usam agentes com separação clara de responsabilidades: Instrução, Base de Conhecimento, Gatilhos e Tarefas agendadas, cada um com seu escopo. Com A2A, essa arquitetura passa a ser interoperável com qualquer ferramenta do ecossistema.

O stack moderno de IA não é um único agente fazendo tudo. É um time de agentes especializados, cada um com sua responsabilidade, se comunicando por protocolos abertos. MCP cuida da integração com ferramentas. A2A cuida da orquestração entre agentes. Juntos, resolvem o que nenhum dos dois resolve sozinho.

A Verboo já opera nesse modelo. Conheça a plataforma e veja como agentes especializados resolvem atendimento, qualificação e agendamento sem código de cola.

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