O Brasil tem 103 milhões de gamers. Sua empresa finge que eles não existem.
Voltar para o Blog
Artigo

O Brasil tem 103 milhões de gamers. Sua empresa finge que eles não existem.

Mafra
03/04/2026
4 min de leitura

R$ 8,7 bilhões por ano e ninguém na sua empresa sabe disso

Enquanto você lê isso, 103 milhões de brasileiros estão jogando. Não estou falando de adolescentes trancados no quarto. Estou falando de 73% da população brasileira, segundo a Pesquisa Games Brasil. Metade deles são mulheres. Um terço joga mais de três vezes por semana. E daqui a 27 dias, São Paulo recebe a gamescom latam, o maior evento de games da América Latina, com expectativa de 130 mil visitantes e R$ 1 bilhão em negócios gerados.

Mesmo assim, pergunte ao diretor comercial médio o que ele sabe sobre o mercado gamer brasileiro. A resposta vai ser um silêncio constrangedor.

O mercado que cresce 15% ao ano enquanto o PIB patina

O Brasil é o maior mercado de games da América Latina e está entre os cinco maiores do mundo, segundo a Abragames. A indústria movimenta US$ 2,8 bilhões em receita local, com crescimento anual de 15% desde 2021. Só a América Latina como um todo já soma 372 milhões de jogadores e US$ 8,3 bilhões em receita projetada.

Para colocar em perspectiva: o mercado de games no Brasil já é maior que o mercado de cinema e música combinados. E enquanto setores tradicionais oscilam, games cresce em linha reta há uma década.

Mas o dado mais revelador não é o faturamento. É o perfil demográfico. A Pesquisa Games Brasil 2024 mostrou que 50,9% dos gamers brasileiros são mulheres. A faixa etária dominante não é adolescente. São adultos com poder de compra, tomando decisões de consumo diariamente.

O erro que custa caro: tratar gamer como nicho

A maioria das empresas ainda opera com um modelo mental dos anos 2000: games é entretenimento de nicho, coisa de nerd, irrelevante para o comercial. Esse preconceito custa caro.

Quando você ignora que 73% dos seus potenciais clientes passam horas por semana em ambientes gamificados, você perde a compreensão de como eles esperam interagir com qualquer produto ou serviço. Gamers são treinados para esperar feedback instantâneo, progressão clara, recompensas por engajamento e interfaces intuitivas.

Agora olhe para o seu processo de vendas. Seu funil tem feedback instantâneo? Seu cliente sabe em que "nível" está? Existe alguma mecânica de recompensa por engajamento? Se a resposta é não para tudo, você está falando uma língua que 103 milhões de pessoas não reconhecem.

1. Mapeie onde seu cliente já joga

Antes de gamificar qualquer coisa, entenda o comportamento. Seus leads estão no mobile (casual gaming) ou no PC/console (hardcore)? Isso muda completamente a abordagem. Gamers casuais respondem melhor a mecânicas simples de recompensa. Hardcore querem profundidade e personalização.

2. Aplique loops de engajamento no seu funil

Todo jogo funciona com um ciclo: ação → feedback → recompensa → próxima ação. Traga isso para o atendimento. Quando um lead responde no WhatsApp, o que acontece? Se a resposta é "nada por 4 horas", você perdeu. O ciclo quebrou. Automação com IA resolve isso em segundos.

3. Crie progressão visível

Clientes querem saber onde estão no processo. "Faltam 2 passos para agendar" funciona melhor que "aguarde nosso retorno". Isso não é gamificação superficial com badges inúteis. É design de experiência baseado em décadas de pesquisa em engajamento.

4. Use dados de comportamento, não só demográficos

O mercado de games ensinou algo valioso: dados comportamentais predizem ação melhor que dados demográficos. Não importa se seu lead tem 35 anos e mora em Curitiba. Importa se ele abriu sua mensagem 3 vezes, clicou no link e voltou no dia seguinte. Esse padrão é o que converte.

Quem já entendeu isso está colhendo resultados

A Bioclínica, rede com 3 unidades, aplicou mecânicas de engajamento contínuo no atendimento via WhatsApp com IA. Resultado: 22% de taxa de conversão em agendamentos, partindo de leads que antes eram ignorados por horas. O segredo não foi tecnologia sofisticada. Foi entender que o paciente espera a mesma velocidade de resposta que recebe em qualquer app no celular.

Na gamescom latam 2025, as rodadas de negócios B2B geraram perspectiva de mais de R$ 1 bilhão em movimentação para a indústria. Em 2026, com a maior programação B2B da história do evento, a expectativa é ainda maior. Empresas de saúde, varejo e serviços que estiverem prestando atenção vão encontrar ali não apenas entretenimento, mas um laboratório de engajamento.

Ignorar 103 milhões de pessoas é uma estratégia. Só não é uma boa.

O mercado de games brasileiro dobra a cada década. A gamescom latam desembarca em São Paulo no fim de abril com 130 mil pessoas e mais de 1.000 empresas. Enquanto isso, a maioria dos negócios brasileiros continua tratando gamificação como buzzword e gamers como público irrelevante. Quem continuar nessa posição vai descobrir, pelos números do próximo trimestre, que o problema não era o mercado. Era a miopia.

Gostou deste artigo?
Compartilhe conhecimento com sua rede.
Leia também

Artigos relacionados