Pedir "sem texto" no prompt não impede o gerador de imagem de escrever. A gente aprendeu isso gerando a capa de cada artigo deste blog com IA: em 24 rodadas registradas entre 3 de setembro e 8 de outubro de 2026, 11 capas saíram na primeira tentativa com letras, números ou glifos que parecem escrita, todas com "no text" no prompt. O que resolveu não foi insistir na frase. Foi parar de pedir os objetos que carregam texto.
Por que a IA coloca texto na imagem mesmo quando você pede "sem texto"?
Porque o objeto que você pediu vem com texto junto. Terminal tem código, placa tem palavra, rack de servidor tem rótulo, fundo "hacker" tem dígito binário. O modelo desenha a versão típica do objeto, e a versão típica tem escrita.
Nos 10 casos em que o nosso log anotou onde estava o texto, ele estava sempre num desses lugares:
- terminal ou editor com código (
if/elselegíveis, um$ git commitinteiro) - monitor com padrão que lembra escrita árabe ou coreana
- placa: pedimos um "dead-end signpost" e veio escrito DEAD-END
- rack de servidor com "GPU" pintado
- balões de diff com
+e- - fundo de dados com "data packet" escrito, ou sequência
1010110
A gente usa o Nano Banana 2 do Gemini (nano-banana-2), em 16:9 e resolução 2K. A regra vale para qualquer gerador que aprendeu com imagens da internet: a cena que você descreve puxa os detalhes que costumam vir com ela.
O que mudou no número de capas refeitas?
Caiu de 11 em 12 para 2 em 12, depois que passamos a trocar o objeto em vez de reforçar a proibição. Os números vêm do nosso registro de execuções, uma linha por artigo publicado:
| Período | Rodadas com resultado da capa registrado | Refeitas por texto ou glifo | Refeitas só pela cor do mascote | Certas na 1ª tentativa |
|---|---|---|---|---|
| 3 a 26 de setembro | 12 | 9 | 2 | 1 |
| 27 de setembro a 8 de outubro | 12 | 2 | 0 | 10 |
Leia com cuidado: é registro de operação, não experimento controlado. O que sustenta a leitura é que as 2 falhas do segundo período foram exatamente os dois objetos que ainda estavam no prompt: um terminal com código (saiu if/else) e um fundo de "matriz" (saiu 1010110).


Como escrever o prompt para não sair texto?
Troque cada objeto que carrega escrita por um substituto abstrato, e feche o prompt com uma proibição ampla. A tabela que a gente usa hoje:
| Em vez de pedir | Peça |
|---|---|
| terminal ou editor com código | terminal window filled only with abstract colored horizontal bars, no code symbols |
| fundo de matriz ou binário | plain dark gradient background with soft glowing dots, no binary digits, no 0s or 1s |
| placa, rótulo, balão com conteúdo | o objeto sem superfície de escrita: seta, ícone, balão vazio |
| rack ou painel com nome | server rack with blinking lights only, no labels |
O esqueleto completo, pronto para copiar:
Dynamic cartoon illustration, dark navy to deep purple gradient background
with soft glowing dots.
[SUA CENA, descrita só com formas: barras, blocos, ícones, molduras vazias]
Plain background, no screens with code, no signs, no labels.
Absolutely no letters, numbers, words, code, glyphs or symbols anywhere in the image.
A capa deste artigo saiu com esse esqueleto na primeira tentativa: duas molduras com formas geométricas, uma lupa, uma borracha e um ícone de check. É um caso só e não prova nada sozinho; o que pesa é a tabela acima.
Precisa conferir a imagem mesmo com o prompt certo?
Precisa, e em tamanho cheio, olhando o fundo e os cantos. A nossa checagem já era obrigatória antes de subir a capa, e mesmo assim deixou passar uma: a capa de um tutorial publicado em 14 de setembro tem dígitos binários no canto superior direito. O registro daquela rodada não menciona nada, porque a checagem olhou a cor do mascote e parou ali.
A lista que usamos agora antes de subir qualquer capa:
- Abrir o PNG em tamanho cheio, não a miniatura.
- Varrer os quatro cantos e o fundo atrás do personagem.
- Olhar telas, painéis e balões: glifo que "parece" letra conta como texto.
- Conferir a cor do mascote. Duas capas saíram com ele branco e uma com ele rosa.
- Achou texto? Não reforce a proibição. Descubra qual objeto trouxe o texto e troque por um substituto da tabela.
Dá para automatizar essa checagem?
Ainda não com confiança, pelo menos não do jeito que tentamos. Escrevemos um script que mede a proporção de pixels na cor do mascote e rodamos contra as 44 capas que temos em disco: ele reprovou uma capa em que o mascote estava roxo, só pequeno, e aprovou as duas capas que o nosso registro marca como mascote rosa. Descartamos. Para texto, o caminho natural é OCR, mas glifo que imita escrita é justamente o que OCR não lê como letra. Por enquanto a checagem é visual, com a lista acima.
Se você automatiza esse tipo de fluxo com um agente de programação e não quer contar token a cada nova tentativa, a Verboo Code oferece tokens ilimitados.



