Em 07/10/2026 a Microsoft anunciou que o GitHub Copilot vai rodar modelo local e decidir sozinho, tarefa por tarefa, o que fica na sua máquina e o que vai para a nuvem. No dia seguinte a The New Stack publicou a pergunta que o anúncio não responde: o que, exatamente, vai para a nuvem? Os dois lados têm razão em parte, e a diferença importa para quem tem política de dados.
O que a Microsoft anunciou para o GitHub Copilot?
Modelo local no Copilot CLI, no app do Copilot e no VS Code, com previsão de chegada até o fim de outubro de 2026. O anúncio foi assinado por Patrick Nikoletich (GitHub) e Stuart Schaefer (Windows) no blog Command Line da Microsoft.
- Dois jeitos de usar: o modo
Auto, em que o Copilot escolhe entre modelo local e nuvem, ou escolher o modelo local na mão. - O modelo: MAI Code 1.1 Flash, mixture of experts com 137 bilhões de parâmetros no total e 6,8 bilhões ativos. Quantizado, cai de 265 GB para 53 GB.
- Onde roda: pelo provedor Windows ML, ou em qualquer endpoint local compatível com OpenAI.
- Hardware do lançamento: PCs Windows com NVIDIA RTX Spark, como o Surface Laptop Ultra, com até 128 GB de memória unificada.
- No mesmo dia: o sandbox local do Copilot ficou disponível para todos, configurável pelo comando
/sandbox.
Qual é o argumento a favor do modo Auto?
Tirar do desenvolvedor uma decisão de infraestrutura que ele não quer tomar a cada tarefa. A frase do anúncio é direta: "With Auto, developers do not need to decide where each task should be run."
Segundo a Microsoft, o roteador pesa o contexto da tarefa e o estado do cache ao alternar entre local e nuvem, inclusive no meio de uma conversa longa. E o modelo local não é brinquedo: a versão quantizada fez 70,8% no SWE-bench Verified, contra 72,6% da versão cheia, e 66,29% contra 62,9% no Terminal-Bench 2.1 (números da própria Microsoft, 07/10/2026). Perder menos de 2 pontos cabendo num notebook é um resultado sério.
Qual é a crítica da The New Stack?
A Microsoft não disse quanto do repositório o modo Auto manda para a nuvem, se dá para ver a decisão de roteamento, nem se dá para travar o Auto só no local. A reportagem de Amanda Caswell (08/10/2026) resume: times com política rígida de dados continuam sem saber o que sai da máquina.
O próprio anúncio admite o ponto central: "Local inference does not make the session offline." E a reportagem acrescenta três detalhes que pesam no dia a dia:
- Escolher o modelo local mantém a inferência na máquina, mas as ferramentas do agente continuam podendo fazer requisição de rede.
- Servidores MCP remotos ficam fora do sandbox local.
- O pico de memória medido foi de 75,5 GB com contexto de 256K tokens. Isso exclui a maioria dos notebooks de dev, com 16 ou 32 GB.
Sobre o ganho no Terminal-Bench, a reportagem lembra que o conjunto tem 89 tarefas: a diferença equivale a cerca de 3 tarefas. Mostra que a compressão não estragou o modelo, não que o melhorou.
Onde os dois lados concordam e onde não?
| Ponto | O que a Microsoft afirma | O que segue sem resposta |
|---|---|---|
| Quem decide onde roda | O modo Auto, por tarefa | Se dá para ver cada decisão |
| Restringir ao local | Dá para escolher o modelo local na mão | Se dá para travar o Auto só no local |
| O que vai para a nuvem | "Local inference does not make the session offline" | Quanto histórico e quanto código vão junto |
| Rede das ferramentas | Shell e MCP local ficam no sandbox do sistema | MCP remoto fica fora do sandbox local |
| Hardware | 53 GB de pesos, RTX Spark com até 128 GB | 75,5 GB de pico em 256K exclui notebook comum |
| Qualidade | 70,8% no SWE-bench Verified quantizado | Ganho no Terminal-Bench é de cerca de 3 tarefas |
Como conferir para onde o seu agente de programação conecta?
Olhe as conexões de rede do processo enquanto ele trabalha. Não responde o que vai dentro de cada requisição, mas mostra se a sessão "local" está falando com a internet.
No macOS ou Linux, com o agente rodando em outro terminal:
lsof -a -i -P -n -p "$(pgrep -f copilot | head -1)"
No Linux, a alternativa com ss:
sudo ss -tpn | grep -i copilot
No Windows, pelo PowerShell:
Get-NetTCPConnection -State Established |
Where-Object OwningProcess -in (Get-Process -Name *copilot*).Id |
Select-Object RemoteAddress, RemotePort, OwningProcess
Troque copilot pelo nome do processo do seu agente. Se ele aparecer só como node, filtre pelo PID. Conexão com o localhost é o modelo local; qualquer endereço externo é tráfego que saiu da máquina, seja da inferência, seja de ferramenta.
Qual é a posição da Verboo Code?
Roteamento automático é uma boa ideia que só vale se for auditável. Enquanto a Microsoft não responder as três perguntas da The New Stack, a postura segura para quem tem política de dados é tratar o modo Auto como nuvem até prova em contrário, e usar o modelo local escolhido na mão quando o código não pode sair.
A gente escolheu o caminho oposto ao híbrido: a Verboo Code roda na nuvem, sem modo que alterna entre local e nuvem por baixo. A tela de abertura de cada sessão já diz isso na segunda linha, no formato ● provedor · modelo · cloud, e o /model mostra qual modelo está respondendo. Você não tem o modelo na sua máquina, mas também não precisa adivinhar onde o código foi parar.
Já comparamos as duas ferramentas lado a lado em GitHub Copilot vs Verboo Code.



